É hora de “sair do armário”!

Palestrante.
Tenho um pouco de dificuldade de me auto-intitular assim, confesso…
Ainda não sei se essa palavra me traduz bem.
Apesar de viver viajando pelo Brasil há mais de 15 anos (e pelos EUA há 6) fazendo palestras e falando das coisas que eu acredito, por aí.
Acho meio metido, sabe?
Quando me apresento dou toda uma volta, do tipo: “Sou consultora, trabalho com eventos corporativos e blablablá.” Seria muito mais fácil falar: “Sou Palestrante.”

Mas, não consigo.

Minha mãe não entende bem o que eu faço até hoje.
Ela diz: “Ah… a Branca vive viajando, pra lá e pra cá, fazendo as coisas dela.”

Já meu filho, Gabriel, quando era criança, foi o que melhor traduziu o que faço:
“Minha mãe sobe num palco e fala de coisas importantes da vida para as pessoas que trabalham nas empresas que contratam ela e estão muito ocupadas trabalhando para pensar na vida.!”
É isso mesmo que eu tento fazer cada vez que subo no palco.
Acredito que muitas vezes estamos ocupados demais para viver, então vejo meu papel como alguém que pode ajudar a desligar um pouco o “piloto automático do comportamento” e contribuir para essa tomada de consciência, tão necessária como pré-requisito para assumir o controle.
Controle de si. Não da vida, isso nem existe.

Ainda nem consigo conjugar o verbo:
“Fui Palestrar em tal empresa ou lugar para falar de tal tema…”
Acabo dizendo: Fui dar… uma palestra. Ou, fui dar o cu…rso!
Mesmo sabendo o mini-susto pelo mal entendido que dizer isso assim pode gerar até que eu realmente termine a frase.

Vou superar isso.
Talvez melhorando a compreensão da tradução da palavra Palestrante no MEU DICIONÁRIO.
Afinal, acredito que as palavras tem o significado que a gente dá, então, vou fazer esse exercício aqui:

Ser Palestrante:
É falar das coisas que amo e acredito para 3 tipos de pessoas:
As que querem me ouvir, as que não sabiam que queriam me ouvir até eu começar a falar e as que não querem me ouvir.
É ser uma espécie de personal trainer de ideias. É ensinar pilates para o autoconhecimento, fazer Crossfit com o autodesenvolvimento. É ter um carinho, todo especial, com o prefixo AUTO!
É saber que eu não mudo ninguém, no máximo cutuco o botão da vontade, da coragem e da autoconfiança .
É fazer do avião, sua rotina e saber as instruções de segurança do voo de cor.
É guardar a mesinha, retornar o encosto da poltrona a posição vertical e desligar o celular antes mesmo de ser solicitado.

É perder um pouco do medo do mundo cada vez que saio para uma viagem.
E perder um pouco do “medo de gente” cada vez que subo num palco.
Ter aquele gelo na barriga, digno de uma bela montanha russa, diante de cada nova plateia. É reconhecer o tamanho da responsabilidade que é ter um microfone na mão.

Aprender a dormir bem em cama de hotel, no avião, no aeroporto.
Aprender a ficar bem dormindo 8 horas, 4, 2 ou nenhuma.

É estar aberto e falar com toda gente e assim curtir cada primeiro encontro que acontece pelo caminho e que sabemos, tem muito potencial para ser também o último. É reconhecer o grande mestre que mora em cada uma uma dessas pessoas e aprender com elas.

É saber que toda interação humana muda, de alguma forma, mesmo que só um pouquinho, o estado emocional do outro e se esforçar, conscientemente para que isso aconteça de forma positiva.

É ver a riqueza que a diversidade traz ao mundo, às empresas e às outras pessoas e ter a coragem de gostar do que é diferente de mim e assim estar aberta a me conectar, aprender e mudar. É aprender a ver o belo no esquisito e o esquisito no normal.

É subir no palco sem ter muita certeza de quais histórias irão transbordar de mim dessa vez. E ter fé que serão, justamente, as histórias que aquelas pessoas precisam ouvir para montar seus próprios quebra-cabeças da vida.
É cuidar de cada palavra que sai da sua boca para que nenhuma delas desrespeite, em nenhum momento, as verdades contidas dentro de um outro ser humano. 

É entender que não falo do que sei, mas do que estou buscando e compreender que cada um está vivendo seu próprio processo e que é preciso respeitar a etapa em que o outro está, suas crenças, opiniões e emoções.

É dar o direito ao outro de não gostar de você, mesmo torcendo muito para que goste.É fazer selfie com a galera no final. É ficar feliz quando rola fila e triste quando ninguém te procura para fazer selfies no final.

É cuidar do Ego. 

Algumas vezes com massagem, em outras com calmante.

É reconhecer sua pequenez ao subir no palco e ter a coragem de ser grande ao mesmo tempo. As pessoas esperam isso de você.

Exercitar o dar e receber em cada palavra, em cada olhar, em cada contato.
Transformar um encontro, tecnicamente corporativo, em um papo tão bom quanto se estivéssemos na sala de casa.
É continuar sendo eu mesma, só que com mais volume. 

É, sou a Branca Barão, palestrante.
Prazer.
E esse é meu Blog, Tarja Branca.

O que faço aqui?
Mini-Palestras escritas.